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02/02/2019 ás 19h26 - atualizada em 02/02/2019 ás 19h29

Rodrigo Santos

Feira de Santana / BA

Chega a 121 o número de mortes em Brumadinho e 226 continuam desaparecidos
Tragédia foi provocada pelo rompimento de barragem da Vale no dia 25 de janeiro, em Minas Gerais. Não há previsão para encerramento das buscas, segundo o Corpo de Bombeiros.
Chega a 121 o número de mortes em Brumadinho e 226 continuam desaparecidos
Reprodução

O Corpo de Bombeiros informou neste sábado (02), 9º dia de buscas, que subiu para 121 o número de mortes do rompimento da barragem, em Brumadinho. Há ainda 226 pessoas desaparecidas e outras 395 foram localizadas.


De acordo com o tenente porta-voz do Corpo de Bombeiros, Pedro Aihara, o trabalho neste sábado está focado em uma região em que estariam localizadas vítimas que estavam em um vestiário. No final da tarde de sexta-feira, foram identificados objetos deste local e, desde a manhã de sábado, as escavações e a estabilidade do terreno começaram.


"Esse foi um avanço bem importante para as equipes de busca. Estima-se que a área do vestiário congregue um número muito grande de vítimas", diz Aihara.


Segundo o porta-voz, há ainda pontos em que a lama alcança cerca de 20 metros de profundidade. Desde sexta-feira (1), a operação entrou em nova fase de buscas que demandam muito mais tempo.


"Os corpos que estavam em níveis superficiais da lama, praticamente, em sua totalidade, já foram retirados. Agora, para que sejam localizados novos corpos, é necessário fazer um trabalho muito demorado de escavação. Não adianta só fazer essa escavação, mas estabilizar o terreno e retirar esse corpo com muito cuidado para possibilitar a correta identificação pela Polícia Civil", afirma Aihara.


Os trabalhos de busca por vítimas da tragédia de Brumadinho entraram no 9º dia neste sábado (2). Trabalham no local mais de 250 bombeiros e 22 cães farejadores. Desde esta sexta-feira (1º), quando o rompimento da barragem da Vale na Grande BH completou uma semana, a operação de resgate entrou numa nova fase e não tem data para acabar, segundo as autoridades.


Números da tragédia


121 mortos confirmados – 94 identificados (veja a lista)


226 desaparecidos (veja a lista)


192 resgatados


395 localizados


A barragem de rejeitos, que ficava na mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, se rompeu na sexta-feira (25). O mar de lama varreu a comunidade local e parte do centro administrativo e do refeitório da Vale. Entre as vítimas, estão pessoas que moravam no entorno e funcionários da mineradora. A vegetação e rios foram atingidos.


Desde sábado (26), não são achados sobreviventes. Para os bombeiros, é muito pequena a possibilidade de achar alguém vivo em meio ao mar de lama. Já o prefeito de Brumadinho, Avimar Barcelos, disse em entrevista nesta sexta: "Neste momento estamos mais preocupados em resgatar vidas, e depois resgatar corpos".


Vídeos


Na entrevista coletiva para falar sobre o balanço deste oitavo dia de buscas, o tenente Aihara, porta-voz dos bombeiros, comentou os vídeos revelados nesta sexta (01) que mostram o rompimento da barragem em Brumadinho.


Nas imagens – que foram cedidas pela mineradora às autoridades no dia seguinte à tragédia –, é possível ver o tsunami de lama, minério e rejeitos.


Um deles mostra o instante exato em que a barragem cede. No outro, é possível ver o mar de lama que avança rapidamente e engole veículos, máquinas e trem, encobrindo toda a mina. "As imagens já tinham sido recebidas. A decisão de não divulgá-las foi uma decisão com embasamento técnico", justificou Aihara.


"Tinha a preocupação de provocar pânico generalizado na população, já que a barragem 6 [também na mina do Córrego do Fundão] estava sendo monitorada. As pessoas poderiam ter um movimento de evacuação generalizado."


Em nota, a Vale informa que disponibilizou as imagens às autoridades em 26 de janeiro e que não divulgou vídeos da ocorrência "para não prejudicar as investigações e, sobretudo, em respeito aos atingidos e familiares".


Buscas


Ao falar sobre os trabalhos de sexta, o tenente Aihara disse: "Nenhum metro de lama deixará de ser vistoriado". Ao comentar até quando devem durar as operações, o porta-voz dos bombeiros não deu uma previsão e comparou: "Para que se tenha uma ideia, em Mariana as buscas duraram três meses". Foi uma referência ao rompimento da barragem do Fundão, em outra cidade mineira, ocorrido em novembro de 2015. Lá, morreram 19 pessoas.


Na quinta, bombeiros civis e voluntários começaram a participar das buscas por corpos em Brumadinho. O grupo tem, pelo menos, 50 pessoas. Há bombeiros civis de diversas regiões do país, arqueólogos e engenheiros, além de bombeiros civis do México. Equipes atuam para liberar a pista da MG-040, que está bloqueada desde o rompimento da barragem da Vale. Bombeiros acompanham os trabalhos de perto, caso haja a necessidade de resgatar algum corpo.


Amostras de DNA


Dos 115 corpos já resgatados, 71 foram identificados. O delegado da Polícia Civil em Brumadinho, Arlen Bahia, disse que há também 19 "pré-identificados".


"Já foi feita coleta de digitais e o exame papiloscópico. Falta apenas o IML conferir, para ver se não tem equívoco. Após a conferência, será liberada a lista, que atingirá o número de 90 identificados", afirmou Bahia.


 Na véspera, ele havia explicado que "daqui para frente, tudo indica que provavelmente a identificação será via odontológica ou DNA".


Já foram coletadas amostras de DNA de mais de 200 pessoas de mais de 100 famílias para ajudar nos trabalhos de identificação das vítimas. A identificação visual e de digitais torna-se mais difícil com o passar dos dias.


Prefeito fala das dificuldades


Em entrevista coletiva na tarde de sexta, o prefeito de Brumadinho, Avimar Barcelos, falou sobre o sofrimento da cidade após a tragédia. "Não tem condições de atender [a população] com a arrecadação que a gente tem. A gente precisa muito do estado e do governo federal", afirmou.


"A responsabilidade que a Vale teria que ter era de não deixar isso acontecer com a cidade. Não existe isso de pagar vida, esses R$ 100 mil [em doações da Vale às vítimas] não são indenização, tem que deixar claro", disse o prefeito.


De acordo com ele, os R$ 80 milhões que serão pagos pela Vale ao longo de dois anos devem servir para compensar impostos que não serão arrecadados. "Daria uns R$ 4 milhões por mês", explicou Barcelos.


 

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