OLÍVIO FARMA - BANNER TOPO
TECNOLOGIA

Líder em celular nos anos 1990, Nokia agora busca desbancar Huawei em 5G

Finlandesa quer aproveitar campanha dos EUA contra rival para crescer e também avançar na China

02/06/2019 19h44
Por: Rodrigo Santos

Nos Estados Unidos, o governo praticamente proibiu as vendas de produtos Huawei, por medo de que os equipamentos da empresa possam ser usados pelas autoridades chinesas para espionagem ou para prejudicar as comunicações do país. O governo Trump pressiona aliados como Reino Unido, Alemanha e Japão a fazer o mesmo.

Isso é parte do argumento de vendas da Nokia, agora que o mundo se prepara para atualizar suas redes e adotar o padrão 5G, uma tecnologia de altíssima velocidade que pode permitir o uso de carros autônomos e de fábricas controladas pela internet. 

A equipe de vendas da empresa entrou em contato com diversas operadoras de telecomunicações em países nos quais os EUA aumentaram o volume de sua retórica antichinesa e está divulgando seus produtos como alternativa.

Sem sistemas 5G seguros, “segredos comerciais essenciais poderão ficar expostos nessas redes: inovações aeronáuticas, fórmulas farmacêuticas, projetos de carros elétricos”, disse Rajeev Suri, presidente-executivo da Nokia, em palestra em fevereiro.

Ao mesmo tempo em que ajuda os EUA a travar sua campanha contra a Huawei, a Nokia busca espaço na China. Operando principalmente por meio de joint venture com uma estatal chinesa, a Nokia emprega 17 mil pessoas na região da Grande China, que inclui Taiwan e Hong Kong. Isso é três vezes o seu total de empregados na Finlândia. 

“Queremos ser amigos da China”, disse Suri. Segundo ele, o objetivo é ser o principal fornecedor estrangeiro de equipamentos à China. No ano passado, os negócios da Nokia na região chinesa responderam por cerca de 10% de suas vendas.

Para ganhar dos dois lados, na briga entre EUA e China, a Nokia segue a estratégia usada pela Finlândia na Guerra Fria. A nação era aliada dos países europeus, mas sempre tentava acomodar a União Soviética.

A estratégia parece estar funcionando. Em julho, a Nokia assinou contrato em valor de até US$ 1,1 bilhão para fornecer equipamentos e serviços à China Mobile, a maior operadora mundial de telefonia móvel, por número de assinantes. Três semanas depois, conquistou contrato de US$ 3,5 bilhões para vender equipamentos 5G à T-Mobile nos EUA.

A Nokia ainda tem um grande atraso a recuperar em relação à Huawei, que começou a se expandir fora de seu país de origem duas décadas atrás. A chinesa encontrou espaço no mercado internacional ao conquistar clientes em países em desenvolvimento com seus produtos baratos e confiáveis.

A Huawei conquistou muito mais clientes em todo o Ocidente, desde então. As operadoras de telefonia dizem que a companhia costuma oferecer inovações de hardware antes da Nokia e que seus preços são competitivos. 

“Sabemos estar em desvantagem em um ou dois produtos”, disse Suri, “mas em termos gerais somos competitivos.”

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias