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RECONSTITUIÇÃO

Saiba como foi a reconstituição da morte de Anderson do Carmo, marido de Flordelis

Lucas e Flávio, filhos da deputada, apenas cumpriram as formalidades

23/09/2019 18h01
Por: Rodrigo Santos
Foto: Pleno News
Foto: Pleno News

Marcada para às 21h desde sábado (21), a reconstituição do assassinato do pastor Anderson do Carmo seguiu pela madrugada e terminou às 3h50. Ao final, a delegada Bárbara Lomba, responsável pelo caso, falou com a imprensa e contou que foram 14 pessoas participando da reprodução. Por coincidência, a polícia fez a reconstituição dos tiros no mesmo horário em que aconteceu a execução. Ao todo nove disparos foram efetuados na simulação.

– Separamos em dois grupos de peritos e eles farão o laudo juntos, acredito que em 30 dias esteja pronto. Houve algumas contradições que continuam nos indicando o caminho que tínhamos nas investigações. A reconstituição ajudou porque na hora as pessoas não sustentam o que foi falado em outro ambiente. Ver as reações das pessoas é importante – revelou.

Bárbara Lomba chegou na casa da deputada federal Flordelis, em Pendotiba, Niterói, por volta de 21h40. Chegaram ao local, junto com a delegada, quatro viaturas da Delegacia de Homicídios e uma da perícia. A Guarda Municipal também esteve na porta da residência para dar apoio à polícia.

Filho do casal, Lucas Cézar dos Santos, indiciado pelo crime, chegou ao local com a polícia, disse que não deseja participar e voltou para a viatura. Outro filho, Flávio dos Santos Rodrigues, informou previamente que não iria atuar na reconstituição. Ele ficou na delegacia e chegou na reconstituição às 1h30, apenas para cumprir formalidades, informou seu advogado.

– O depoimento que consta a confissão é contestado pela defesa e pelo Flávio. Com isso, ele não vai participar. Ele participará se a autoridade policial permitir que ele fale, realmente, o que aconteceu – afirmou Anderson Rollemberg, advogado de Flávio, por volta de 21h.

Lucas e Flávio são acusados de homicídio triplamente qualificado, com pena de 12 a 30 anos, e terão que aguardar o julgamento em regime fechado. A delegada Lomba comentou o fato deles não terem participado.

– Reproduzimos com base no que eles falaram na delegacia, mas o ideal seria que eles tivessem participado. Mas é direito deles não quererem participar. Provavelmente (o Lucas não participar) foi uma estratégia da defesa, certamente ele mudou de planos sob orientaçã. Viemos preparados para que ele participasse e atrapalhou um pouco – explicou.

A deputada federal pode ser vista da garagem conversando com investigadores. Enquanto acontecia a reconstituição, a igreja Ministério Flordelis, fundada pela cantora e seu marido, promovia uma Mini Vigília. Bárbara Lomba comentou a participação da parlamentar e o que foi dito por ela na reconstituição.

– (Ela falou) basicamente o que tinha falado na delegacia, em alguns pontos não se recordou. Houve alguns pontos em que as declarações aqui não corresponderam ao que foi falado na delegacia. Não chegam a ser contradições, mas não correspondem – informou a delegada.

Um motorista de aplicativo também participou da reconstituição. Em depoimento, o motorista afirmou ter levado Flávio e Lucas, dois dias antes do crime, até a favela Nova Holanda, na Maré, Zona Norte do Rio, para pagar e buscar a arma que seria usada. O mesmo motorista levou Lucas até a residência no dia do crime.

Daniel dos Santos, único filho biológico de Flordelis e Anderson do Carmo, estava na casa no dia do crime e compareceu na reconstituição. Sua participação levou cerca de meia hora e ele deixou a área do assassinato por volta de 1h50. Uma hora depois o jovem postou em uma rede social.

– Obrigado meu Deus, Tu és fiel!!

ADVOGADO BARRADO

O advogado Angelo Máximo, que representa dona Maria Edna Virgínio, mãe do pastor Anderson do Carmo, e também a irmã dele, Michelle do Carmo, chegou na casa no horário marcado, mas foi impedido de entrar pela delegada.

– Eu represento a assistência da acusação, mas houve uma obstrução pela doutora Bárbara. A justificativa é que a reconstituição é uma segunda fase do inquérito – contestou.

Membros da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil foram chamados para tentar auxiliar na participação do advogado, mas não tiveram sucesso.

– A delegada nos explicou que esse procedimento está sob sigilo. Ele é advogado do primeiro processo, mas aqui não é um processo, ainda é uma investigação. Como ele não tem uma autorização judicial em razão de ser uma segunda fase, a delegada entendeu que ele não deveria participar – explicou Fernando Praxedes, presidente da Comissão local.

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