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BAHIA

Morre, aos 90 anos, cientista baiano Elsimar Coutinho

Especialista em reprodução humana e criador do Ceparh, o médico deixa um legado de proporções mundiais

17/08/2020 13h45
Por: Site Feira 24 Horas

Morreu nesta segunda-feira (17) o Dr. Elsimar Coutinho, aos 90 anos, vítima de complicações em decorrência do coronavírus. Eleito uma das Grandes Mentes do século XXI, o cientista baiano, especializado em reprodução humana, estava internado, desde o último dia 20, em um hospital de Salvador, mas realizou tratamento no último mês em São Paulo. 

“A medicina para mim não foi bem uma escolha. Foi algo natural, uma espécie de herança", declarou certa vez, referindo-se diretamente ao pai, o médico e farmacêutico Elsior Coutinho.

Elsimar nasceu no dia 18 de maio de 1930, em Pojuca. Após cursar a Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde graduou-se em Farmácia e Bioquímica em 1951, e em Medicina em 1956, foi estudar com o Professor Claude Fromageot, na Sorbonne, Universidade de Paris, graças a uma bolsa conjunta dos governos brasileiro e francês. 

Pioneiro e desbravador, o cientista desenvolveu, além do primeiro anticoncepcional injetável de efeito prolongado, a primeira pílula anticoncepcional contendo Norgestrel, que é hoje o progestínico mais usado do mundo.

Professor Titular do Departamento de Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana da Faculdade de Medicina da Ufba, ele criou a disciplina de "Reprodução Humana", única no Brasil, da qual tornou-se professor titular desde a sua criação até a aposentadoria compulsória aos setenta anos de idade.

Entre suas principais obras está a criação do CEPARH - Centro de Pesquisas e Assistência em Reprodução Humana, clínica modelo em planejamento familiar em Salvador, localizada no bairro da Federação, que presidiu até morrer. Sua campanha pelo planejamento familiar, aliás, tem tanta importância quanto aquela que o “Major” Cosme de Farias empreendeu contra o analfabetismo. 

Chocado com o surgimento do coronavírus, Elsimar declarou em maio desse ano, em entrevista à Rádio Metrópole: "Com a virulência que ele apresenta, nunca vi". Mas também reforçou, cientificamente, a voz esperança: "É um consolo que eu vejo as crianças, quando afetadas, não morrem e desenvolvem uma certa defesa, sem problemas cardiovasculares".

 

 

Metro 1

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