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Covid-19 mata filha, dois irmãos e dois cunhados de juiz em Manaus

"Nossa família foi ceifada por essa doença traiçoeira, aliada ao descaso da saúde pública”, disse Francisco Rodrigues Balieiro

28/02/2021 13h29
Por: Site Feira 24 Horas
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O novo coronavírus tem afetado a vida de muitas pessoas, mas em alguns casos a doença deixa um rastro mais letal numa mesma família. O juiz aposentado Francisco Rodrigues Balieiro, de 62 anos, perdeu a filha, dois irmãos e dois cunhados para a Covid-19. O magistrado mora em Manaus (AM), no estado brasileiro mais atingido pela pandemia.

“Passei e ainda estou passando por momentos muito complicados e dramáticos com essa pandemia. Nossa família foi ceifada por essa doença traiçoeira, aliada ao descaso da saúde pública”, disse.

Para Balieiro, a morte prematura da filha Alana Gabriela de Alencar Balieiro, de apenas 27 anos, foi o golpe mais duro. Ela começou a sentir os primeiros sintomas – tosse seca, dores de cabeça, perda de paladar/olfato e falta de ar – no início de dezembro de 202o. “Como ela tinha obesidade, ficamos preocupados”, contou Balieiro. Alana permaneceu internada por dois dias em um leito clínico, mas o quadro acabou piorando e ela precisou ser transferida para a UTI.

Enquanto Alana não estava intubada, Balieiro fazia revezamento de visitas com a outra filha, Ana Carolina, pois somente uma pessoa podia permanecer na sala. Nas redes sociais, a família deu início a uma corrente de oração com amigos e conhecidos.

Alana faleceu na noite de 20 de dezembro de 2020, no dia anterior ao aniversário de sua mãe, que não está mais viva. Conceição de Alencar teve um choque anafilático e morreu aos 28 anos logo após dar à luz Alana, na cidade de Tabatinga, em 1993. Elas tinham quase a mesma idade quando morreram, coincidências da vida que emocionam ainda mais o magistrado aposentado.

Alana estudava gastronomia e tinha muitos sonhos pela frente. “A Alaninha era um anjo, e anjos não moram na Terra. Eles visitam a Terra por um breve tempo, o tempo de Deus”, escreveu Balieiro em post nas redes sociais, após a morte dela.

Internado

Francisco Balieiro contraiu Covid-19 ainda na primeira onda, em abril de 2020, e precisou ser internado após desenvolver uma pneumonia. Voltou para casa depois de permanecer três dias em um hospital de campanha da prefeitura de Manaus. “Quando recebi alta, ganhei o meu maior presente: uma outra vida”, conta. Em casa, seguiu todas as recomendações, tomou os medicamentos indicados, fez repouso e conseguiu se recuperar totalmente da doença.

Na segunda onda da doença, sua mãe, de 79 anos, também recebeu o diagnóstico positivo para a Covid-19. Maria José Balieiro precisou ser internada, mas não conseguiu vaga em nenhuma unidade de saúde pública e privada, devido à superlotação e à crise do oxigênio. A família enviou ela a São Paulo, onde foi atendida no Hospital Beneficência Portuguesa, na cidade de Campinas. Recuperada, já retornou a Manaus.

Irmãos e cunhados vítimas

O primeiro a morrer na família por Covid-19 foi o irmão Jonas Rodrigues Balieiro, de 57 anos. Gestor de uma escola Municipal em Tabatinga, a mil quilômetros de Manaus, era carinhosamente conhecido como “computador”. Ele permaneceu três dias internado no hospital público da cidade, mas como Jonas tinha diabetes, a situação se agravou. O professor faleceu em 2 de maio de 2020. “Meu irmão aguardava uma UTI aérea para ser removido para outra unidade de saúde”, explicou.

Em janeiro de 2021, outra tragédia para a família. O irmão mais novo, Ulisses Rodrigues Balieiro Filho, de 48 anos, também faleceu após ter contraído o novo coronavírus. Ele permaneceu cinco dias internado no Serviço de Pronto Atendimento Alvorada, em Manaus, e aguardava ser transferido para um leito de UTI no hospital referência de Covid-19. Não conseguiu. Francisco Balieiro suspeita que ele morreu por falta de oxigênio.

“No dia 11 de janeiro, minha irmã falou com ele por volta das 20h e tudo aparentava bem, ele estava só um pouco ofegante. Quando deu meia-noite, ela recebeu uma ligação que o Ulisses tinha falecido e não informaram o motivo”, explicou.

A morte aconteceu dias antes do maior colapso da saúde do Amazonas, que ocorreu em 14 de janeiro de 2021. “Acredito que àquela altura os médicos já vinham racionando oxigênio, e meu irmão acabou sendo vítima. Mas pensar nisso no momento não vai resolver absolutamente nada. Os órgãos de controle vão investigar o que realmente ocorreu”, disse.

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